PINACOTECA DE SÃO PAULO RECEBE OBRA DE FERNAND LÉGER EM EMPRÉSTIMO HISTÓRICO DO MUSEU THYSSEN-BORNEMISZA DA ESPANHA

Em cooperação com a Espanha, o edifício Pina Luz exibe “O Disco” (1918), tela fundamental da fase mecânica do pintor francês, promovendo um diálogo com obras modernistas do acervo do museu

Fernand Léger. Le Disque [O Disco], 1918. Óleo sobre tela, 65 x 54 cm. Museo Nacional Thyssen-Bornemisza, Madri.

Período: 05.09.2026 – 07.12.2026

A partir de 5 de setembro, a Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, recebe em sua mostra de longa duração Pinacoteca: Acervo a tela O Disco [Le Disque] (1918), do pintor francês Fernand Léger (1881–1955), importante nome do modernismo francês que foi professor de Tarsila do Amaral e influenciou toda a geração de 1920 no Brasil.

A vinda do trabalho ao Brasil é fruto de um empréstimo do Museu Nacional Thyssen-Bornemisza, de Madri, dentro do projeto “O Thyssen Está de Visita”, que aproxima a arte do cotidiano das pessoas e reafirma o valor da cultura como instrumento de cidadania, educação e participação. A proposta destaca a capacidade da cultura de construir pontes entre sociedades diversas, unidas por profundos laços históricos, linguísticos e humanos, construindo nossa comunidade como somente a cultura pode fazer e projetando-a para outras partes do mundo e para o futuro.

O projeto conta com realização da Embaixada da Espanha no Brasil, da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID) e do Museu Nacional Thyssen-Bornemisza de Madri, em parceria com as Secretarias de Relações Internacionais, de Cultura e Economia Criativa, e de Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo; com a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo — por meio da Pinacoteca de São Paulo, gerida pela APAC (Associação Pinacoteca Arte e Cultura); e com o Instituto Cervantes. Além disso, conta com o apoio da Câmara Oficial Espanhola de Comércio no Brasil e o patrocínio das empresas Neoenergia, Santander, Acciona, Mapfre e Aena.

A cerimônia de abertura para convidados no dia 5/9, no Auditório da Pina Luz, contou com a presença de autoridades e representantes dos realizadores, parceiros e apoiadores.

A obra estará instalada dentro da exposição do acervo da Pinacoteca, no segundo andar, em diálogo direto com trabalhos de artistas como Tarsila do Amaral, Flávio de Carvalho, Vicente do Rego Monteiro e Emiliano Di Cavalcanti. Para o curador do acervo da Pinacoteca, Yuri Quevedo, essa é uma oportunidade de pensar as relações entre o modernismo europeu e o brasileiro.

“O embate entre a pintura de Léger e obras como São Paulo (1924) de Tarsila do Amaral nos permite avaliar como as vanguardas europeias – por exemplo o cubismo – se transformaram na experiência brasileira, fazendo-nos perceber como cada artista, e cada contexto, elabora a experiência moderna ao seu modo”, explica Yuri Quevedo.

Além do empréstimo da obra de Léger à Pinacoteca, o projeto “O Thyssen Está de Visita” contará, em parceria com a Prefeitura de São Paulo, com a exibição no Parque da Luz de 50 reproduções de obras do museu espanhol que apresentam ao público um percurso cronológico da pintura ocidental a partir de obras de seu acervo. Antes, entre junho e julho, o público de Brasília recebeu a exibição dessas reproduções na praça do Conjunto Cultural da República, entre o Museu Nacional da República e a Biblioteca Nacional.

O impacto de Léger
 

Produzida em 1918, logo após o término do serviço de Léger como combatente no corpo de engenharia do exército francês durante a Primeira Guerra Mundial, O Disco marca a transição do artista para a sua emblemática “fase mecânica”. Impressionado pela força das máquinas, trens e armamentos pesados com os quais conviveu no front, o pintor converteu o fascínio pela tecnologia em uma pesquisa sobre a velocidade e os ritmos da metrópole moderna.

Considerada um dos marcos do Cubismo e um exemplo radical de quase abstração em sua trajetória, a tela articula círculos concêntricos, linhas geométricas e planos cortantes. O contraste entre as cores como vermelho, amarelo, azul e verde, cria uma espécie de engrenagem. Em vez de descrever um objeto fixo, Léger sintetiza o movimento em uma mesma imagem.

A presença de O Disco na Pinacoteca ilumina um dos diálogos mais férteis da história da arte no Brasil. A partir dos anos 1920, o ateliê de Léger em Paris tornou-se ponto de convergência para sucessivas gerações de artistas brasileiros. Tarsila do Amaral (1886–1973), que estudou com o francês na Académie de la Grande Chaumière a partir de 1923, absorveu seu conceito de “contrastes plásticos” e a geometrização dos volumes, aprendizado que transparece na estrutura de A Negra (1923) e nas paisagens da fase Pau-Brasil.

O método pedagógico de Léger não impunha uma estética estritamente europeia, mas fornecia um instrumental plástico para que seus alunos observassem suas próprias realidades. Enquanto o francês aplicava tubos e cilindros para traduzir a industrialização parisiense, artistas como Flávio de Carvalho, Tarsila do Amaral, Vicente do Rego Monteiro e Di Cavalcanti utilizaram esses mesmos princípios de rigor e síntese para estruturar a luz, as formas e o imaginário urbano e rural brasileiro. Décadas mais tarde, na virada dos anos 1940 para os 1950, a lição de espaço e tridimensionalidade do ateliê de Léger serviu também como base para a formação de nomes fundamentais do abstracionismo e do geometrismo, como Lygia Clark e Milton Dacosta.

A exibição de O Disco reforça o papel da Pinacoteca de São Paulo como principal acervo de arte brasileira, permitindo ao público do museu confrontar uma obra histórica global com os desdobramentos de sua própria produção artística. Essa é a tônica da exposição do acervo da instituição desde a sua inauguração em 2020.

Pinacoteca: Acervo apresenta a coleção do museu como um campo de embates e aproximações, no qual obras e artistas de diferentes períodos argumentam entre si. Ao abandonar uma narrativa estritamente cronológica, a exposição evidencia continuidades, rupturas e a permanência de certas questões ao longo do tempo. A mostra também espacializa a própria história da Pinacoteca e da formação de seu acervo, revelando transformações nas políticas de aquisição, pesquisa, conservação e exibição. A exposição propõe o museu como uma plataforma para pensar a história da arte no Brasil: um espaço no qual artistas são protagonistas e cada trabalho é um argumento que ajuda a construir um debate diverso.

A presença inédita do quadro de Léger vindo da Espanha até 7 de dezembro é uma oportunidade única de proporcionar ao público um novo olhar e uma nova experiência ao visitar o amplo acervo da Pinacoteca.

“É justamente no encontro entre coleções distintas que o museu revela sua potência. Ao apresentar uma obra do Museu Nacional Thyssen-Bornemisza em diálogo com o acervo da Pinacoteca, criamos uma oportunidade para repensar histórias da arte e construir novas conexões entre contextos aparentemente distantes”, analisa Jochen Volz, Diretor-Geral da Pinacoteca.

“Com a iniciativa ‘O Thyssen Está de Visita’, o Museu Nacional Thyssen-Bornemisza leva uma seleção de reproduções de cinquenta obras emblemáticas de sua coleção ao público de Brasília e de São Paulo, por meio de uma instalação de grande formato, além do empréstimo excepcional do quadro O Disco (1918), obra de Fernand Léger, à Pinacoteca de São Paulo. Esta ação reflete o compromisso de ambas as instituições com o intercâmbio cultural e o acesso à arte, fortalecendo os vínculos históricos e culturais entre Espanha e Brasil. Acreditamos que a colaboração entre museus é uma ferramenta essencial para fomentar o diálogo, o conhecimento mútuo e a construção de pontes entre sociedades por meio da cultura. Agradeço à Agência Espanhola de Cooperação Internacional e às empresas que tornaram possível esta iniciativa”, diz Evelio Acevedo, Diretor-Geral do Museu Nacional Thyssen-Bornemisza, Madri.

SOBRE FERNAND LÉGER

Fernand Léger (Argentan, França, 1881– Gif-sur-Yvette, França, 1955) foi pintor, desenhista, ilustrador e cenógrafo. Figurou como uma das personalidades mais influentes da arte do século XX, desdobrando o Cubismo em um estilo singular focado nas formas tubulares e nos ritmos da era mecânica. Fundador da Académie Moderne em Paris, atuou ativamente como mestre de gerações de artistas de diversas partes do mundo. Suas criações integram os acervos das principais instituições do mundo, como o MoMA, em Nova York, o Musée National Fernand Léger, em Biot, e o Museo Thyssen-Bornemisza, em Madri.

SOBRE O MUSEU NACIONAL THYSSEN-BORNEMISZA

Localizado em Madri, o Museu Nacional Thyssen-Bornemisza é uma das principais instituições culturais da Espanha e integra o chamado “Triângulo de Ouro da Arte” da capital espanhola. Seu acervo permanente reúne cerca de 1.600 obras que cobrem a história da pintura europeia desde o século XIII até o final do século XX, contemplando movimentos como o Renascimento, a pintura holandesa, o Impressionismo, o Expressionismo e as vanguardas europeias e norte-americanas do pós-guerra.

SOBRE A PINACOTECA DE SÃO PAULO

A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios, a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. B3, a bolsa do Brasil, é Mantenedora da Pinacoteca de São Paulo.

SERVIÇO

Pinacoteca de São Paulo

Edifício Pina Luz | 2º andar

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)

R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso

Gratuito aos sábados

2º Domingo do mês – entrada gratuita – Gratuidade Mantenedora B3 

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