Do Sul ao Nordeste e do Norte ao Sudeste: como a cabotagem leva produtos à mesa dos brasileiros

Café, arroz, açúcar, leite e carne de frango podem seguir por navio entre portos brasileiros antes de chegar aos centros de distribuição e às prateleiras dos supermercados

Já parou para pensar no caminho que um alimento percorre antes de chegar ao supermercado? Um pacote de café ou de açúcar, um produto à base de laranja podem ter viajado centenas ou até milhares de quilômetros e parte desse trajeto pode ter sido feito de navio.
 

Muitos desses produtos viajam entre portos brasileiros graças a cabotagem. Em um país com mais de 8,5 mil quilômetros de litoral e com 54,8% da população vivendo a até 150 quilômetros da costa, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse modal tem papel importante na conexão entre regiões produtoras e mercados consumidores. Na prática, permite que mercadorias percorram longas distâncias pelo mar antes de seguir por rodovias ou ferrovias até o destino final.
 

café é um exemplo. O Sudeste concentra uma parcela significativa da produção nacional, e o produto, depois de beneficiado, torrado, moído ou embalado, pode ser transportado em contêineres para mercados consumidores de outras regiões.
 

laranja também pode fazer parte dessa cadeia. Além da fruta, derivados como sucos processados podem ser transportados em condições adequadas de armazenamento. Para cargas que precisam de controle de temperatura, podem ser utilizados contêineres refrigerados, conhecidos como reefers.
 

açúcar, por sua vez, é uma carga de grande volume e peso, característica que pode favorecer o transporte marítimo em longas distâncias. O mesmo vale para o leite, que, após ser processado, pode utilizar diferentes modais ao longo da cadeia de abastecimento.
 

carne de frango, historicamente uma das proteínas mais consumidas pelos brasileiros, tem parte relevante da produção concentrada nos estados do Sul e Sudeste. Já o milho, utilizado tanto na alimentação humana quanto na produção de ração animal, também está entre as cargas agrícolas que podem integrar rotas logísticas que incluem o transporte marítimo entre portos nacionais.
 

A rota do arroz

arroz ajuda a visualizar como essa logística funciona. O Brasil está entre os grandes produtores mundiais do grão, e a produção está fortemente concentrada na região Sul. Em 2026, o Rio Grande do Sul responde por cerca de 70% da produção nacional estimada pelo IBGE.
 

Depois de beneficiado e embalado, o arroz destinado a outras regiões pode seguir por caminhão ou ferrovia até um porto. De lá, é embarcado em um navio e pode percorrer a costa brasileira até o destino, onde volta a seguir por transporte terrestre para ser distribuído.
 

A cabotagem já participa da movimentação de alimentos para o Nordeste. Em 2025, a região recebeu, por esse modal, diferentes tipos de cargas conteinerizadas, entre elas arroz, além de produtos químicos e celulose. Ou seja, aquele pacote de arroz encontrado em um supermercado no Nordeste pode ter começado sua viagem em uma lavoura no Sul do país e percorrido parte do caminho pelo mar.
 

Uma viagem que o consumidor não vê

A cabotagem não significa que um produto faça todo o percurso pelo mar. A carga pode sair da propriedade rural ou da indústria em um caminhão, chegar ao porto, ser embarcada e seguir pela costa. Depois do desembarque, pode continuar por rodovia ou ferrovia até um centro de distribuição e, finalmente, chegar ao supermercado.
 

Essa integração entre diferentes meios de transporte permite conectar áreas produtoras e mercados consumidores distantes e ampliar as alternativas para o abastecimento do país. Além dos alimentos, a cabotagem movimenta contêineres, combustíveis, matérias-primas, produtos industrializados e outras cargas.

É uma viagem que muitas vezes passa despercebida. O consumidor não vê o navio que transportou o produto, mas pode encontrar o resultado dessa operação na prateleira.
 

Da próxima vez que um pacote de café, um saco de arroz, uma embalagem de açúcar, um litro de leite, um produto à base de laranja ou um alimento derivado do milho chegar às compras, vale lembrar: dependendo da origem e da rota escolhida, essa mercadoria pode ter começado a viagem muito longe dali e parte desse caminho pode ter sido feita pelo mar.

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