
Marco da arquitetura, Auditório AXIA Ibirapuera reúne programação cultural no palco e abriga a Escola de Música do Parque Ibirapuera
O Auditório AXIA Ibirapuera completa 21 anos neste mês, ao mesmo tempo em que a Escola de Música do Parque Ibirapuera (EMPI) celebra sua trajetória de formação musical gratuita, iniciada em 2005. As duas histórias dividem o mesmo prédio e a mesma idade. Em cima, o palco recebe espetáculos, festivais e encontros culturais. Embaixo, no subsolo, a Escola forma crianças e adolescentes e leva a música brasileira a diferentes públicos, por meio de apresentações gratuitas todo mês no Parque Ibirapuera e em espaços culturais de grande prestígio.
Auditório AXIA Ibirapuera
Concebido por Oscar Niemeyer nos anos 1950 e finalizado mais de cinco décadas depois, o Auditório se tornou um dos espaços culturais mais conhecidos de São Paulo por sua arquitetura única. Quem não conhece o local e olha o prédio de fora, dificilmente imagina que ali dentro há um palco e uma plateia. Foi o que aconteceu, há 21 anos, com Alexandre Di Pietro, gerente de Eventos e Cultura da Urbia. Ele costumava correr no Parque e, um dia, ao mudar o trajeto, deu de cara com a obra do espaço ainda em construção.
“Lembro de passar e me perguntar: o que é este lugar? A última coisa que viria à minha cabeça era que fosse um teatro. Depois, convivendo com o espaço, você vê que ele é de uma simplicidade e de uma eficiência muito grande. O formato desenvolvido por Niemeyer coloca o palco no lugar perfeito’’, relata o gerente, que começou a trabalhar no local um pouco depois da inauguração.
No Auditório, a plateia é uma só. Não há mezanino, camarote ou área privilegiada. É um teatro democrático por desenho, em que todo o público divide o mesmo espaço e se sente perto do artista, mesmo quem ocupa um lugar na última fileira.
A plateia interna tem capacidade para 800 pessoas e a acústica foi planejada desde a concepção do projeto para uma sala multiuso, que recebe de orquestras a artistas da música popular. Ao fundo do palco, uma porta de 20 metros se abre para o parque. Com ela, o mesmo palco se volta para a área externa, com capacidade para cerca de 15 mil pessoas. Ao longo de sua trajetória, o local foi palco de shows, peças de teatro, espetáculos de dança, premiações e palestras, além de festivais como C6 Fest, Turá, Feira Preta e Now Festival.
“Tenho formação musical e é um privilégio trabalhar em um espaço onde você se enriquece culturalmente. Manter essa programação como uma referência para a cidade e para a programação cultural do Parque, sempre foi e segue sendo muito relevante, tanto para mim como para todos que fizeram parte da história desse prédio”, acrescenta Di Pietro.
Requalificado durante a gestão da Urbia, o espaço passou a se chamar Auditório AXIA Ibirapuera em agosto deste ano, após acordo de naming rights entre a concessionária responsável pelo Parque Ibirapuera e a AXIA Energia, maior empresa de energia 100% renovável do Hemisfério Sul. A parceria contribui para a manutenção contínua do edifício e para o aprimoramento da infraestrutura oferecida aos frequentadores.
Escola de Música do Parque Ibirapuera
É no subsolo desse mesmo prédio que funciona a EMPI. Totalmente financiada pela Urbia, gestora do Parque Ibirapuera, a Escola oferece formação musical gratuita focada na Música Popular Brasileira. A cada ano, a instituição recebe novas turmas de crianças e adolescentes, de 10 a 12 anos, que precisam estar matriculados em escolas da rede pública ou particular. Com mais de 25 professores, arranjos exclusivos e apresentações recorrentes, a trajetória acadêmica combina aprendizado técnico, pesquisa de repertório e prática de conjunto com experiência de palco.
Desde o início da concessão do Parque Ibirapuera, o projeto foi expandido e passou a atuar em sua capacidade máxima, atendendo cerca de 180 estudantes por semestre. Também já realizaram 224 apresentações, incluindo eventos em espaços renomados que ampliaram as oportunidades de contato dos estudantes com diferentes públicos e ambientes profissionais.
“Imagina a beleza de se perceber capaz de tocar uma música da sua cultura, que atravessou gerações para chegar a você e, agora, porque você aprendeu, é um pouquinho mais sua. É essa alegria que a EMPI produz todos os dias e multiplica quando esses estudantes encontram as plateias. Participar disso, cuidar desses alunos, ver os olhinhos brilhando, é um privilégio pra mim e todos que atuam aqui”, comenta Lilian Faversani, coordenadora da EMPI.
Para se formarem, os estudantes percorrem um ciclo de três a cinco anos, com a possibilidade de se especializar em um instrumento de sua escolha – em sua história, a EMPI já formou mais de 150 alunos. Depois desse período, podem continuar na Escola, dedicando-se à pesquisa de gêneros musicais, arranjos e improvisação. Orquestras, grupos de choro e formação vocal acolhem diferentes interesses e ajudam a preparar os jovens para trajetórias profissionais ou acadêmicas na música.
Essa vivência também chega às plateias com a Orquestra Furiosa, a Orquestra Brasileira de Aprendizes (OBA), o Grupo Vocal da EMPI e outros coletivos ligados à Escola, que já ocuparam espaços de grande relevância, como a renomada Sala São Paulo e o famoso Palco Capivari, do Festival de Inverno de Campos do Jordão.
Aluno graduado e, atualmente, colaborador do projeto, Erick Shil fala com emoção sobre sua relação com a EMPI e com o espaço em que ela vive: “Nasci alguns meses antes da abertura do auditório. A Escola, que lá se encontra, e eu, por caminhos diferentes, fomos amadurecendo juntos. Como alguém que fez parte de todos os processos que a Escola pôde oferecer, de aluno a colaborador, é com orgulho imenso que parabenizo meus companheiros de vida: o Auditório AXIA Ibirapuera e a EMPI.”
A instituição também promove apresentações gratuitas no Parque Ibirapuera semanalmente, por meio do programa Música no Parque. Sob direção artística de Nailor Proveta, responsável pela curadoria artística da EMPI, o projeto promove o encontro entre gerações e mantém em circulação repertórios que valorizam a música brasileira, indo do choro ao samba-jazz.
Sobre a Urbia
Criada em 2019, pela Construcap, a Urbia Gestão de Parques nasce para valorizar, cuidar e preservar o patrimônio histórico e ambiental, enquanto oferece lazer qualificado, entretenimento e cultura a todos os visitantes. A dedicação da empresa se concentra em criar, a cada dia, um mundo melhor, com mais diversidade, inclusão e cidadania, reconectando as pessoas à natureza. Ao todo, há cinco concessões especializadas na gestão de parques públicos, urbanos e naturais, hoje concentradas nas regiões Sul e Sudeste do país. A primeira é a Urbia Gestão de Parques de São Paulo, uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) criada para cuidar da gestão dos seis parques paulistanos (Ibirapuera, Tenente Brigadeiro Faria Lima, Jacintho Alberto, Jardim Felicidade, Eucaliptos e Lajeado). Apoiada no desenvolvimento sustentável, ela tem o objetivo de conectar pessoas por meio do lazer, entretenimento e cultura, e proporcionar momentos de imersão e harmonia com a natureza no meio urbano. Além destes, a Urbia também é responsável pela gestão dos Parques Estaduais do Horto Florestal (Alberto Löfgren) e da Cantareira, ambos localizados na zona norte de São Paulo/SP; dos Parques Nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral, considerando suas principais áreas de visitação: as áreas do Cânion Fortaleza, Cânion Itaimbezinho e Rio do Boi, situados em Cambará do Sul/RS e Praia Grande/SC; e das Cataratas do Iguaçu, Parque Nacional do Iguaçu em Foz do Iguaçu/PR, em parceria com o Grupo Cataratas, com os mesmos propósitos e modelos de gestão. Recentemente, também em parceria com o Grupo Cataratas, a Construcap sagrou-se vencedora da licitação do Parque Nacional de Jericoacoara, cujo contrato já foi assinado.

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