78% do público 60+ faz pelo menos duas viagens por ano e 87% não dependem de datas específicas para viajar

Levantamento inédito, apoiado pelo Ministério do Turismo, tem objetivo de aprofundar a compreensão sobre o comportamento do viajante 60+ em busca da construção de políticas alinhadas às demandas dessa geração

Viajar deixou de ser um plano para as férias e se tornou parte do projeto de vida dos brasileiros com mais de 60 anos. Com mais tempo, autonomia e disposição para conhecer novos lugares, essa geração está viajando mais e transformando a longevidade em uma fase marcada por descobertas, bem-estar e novas experiências. Pesquisa realizada com apoio do Ministério do Turismo mostra que 78% dos viajantes dessa faixa etária fazem pelo menos duas viagens por ano, e 87% não dependem de datas específicas para viajar. 

O estudo foi realizado entre março e abril de 2026, com 1.012 brasileiros, e tem como objetivo aprofundar a compreensão sobre o comportamento do viajante 60+ no turismo, além de apoiar o setor na construção de políticas alinhadas às demandas dessa geração. 

“Compreender como viaja a população com mais de 60 anos é fundamental para traçarmos ações em parceria com estados, municípios e iniciativa privada para tornar os destinos cada vez mais preparados para receber esse público, com infraestrutura, acessibilidade e serviços de qualidade”, afirma o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. 

Hoje, o potencial econômico desse consumidor é expressivo. O Brasil reúne 61 milhões de pessoas com 50 anos ou mais, grupo que representa 28% da população e movimenta cerca de R$ 1,8 trilhão em consumo. A projeção é que esse montante alcance R$ 3,8 trilhões em 2044. 

Mais do que lazer, viajar passou a ocupar um espaço importante na rotina e nas prioridades dos brasileiros com mais de 60 anos. Entre aqueles que utilizam hospedagem paga, a principal motivação para viajar é descanso e relaxamento (35,9%), seguida pela convivência familiar (23,4%) e lazer, esporte e diversão (20,1%). 

A pesquisa mostra ainda que a viagem tem forte componente emocional. Para 60,4% dos entrevistados, ela representa uma oportunidade de viver com mais prazer e leveza. Outros 44,4% associam a experiência à descoberta e ao aprendizado, enquanto 40,4% enxergam o turismo como uma forma de cuidado com a saúde e o bem-estar. 

Na definição da viagem ideal, prevalecem atributos ligados à autonomia e segurança. A liberdade para fazer escolhas no próprio ritmo foi apontada por 59,7% dos entrevistados, seguida por segurança e previsibilidade (51,6%) e conforto físico e emocional (47,7%). 

Para a pesquisadora do Data 8, Adriana de Queiroz, uma das responsáveis pelo estudo, os dados contribuem para estimular um turismo mais inclusivo, qualificado e preparado para a longevidade. “Estamos falando de uma população cada vez mais ativa, diversa e economicamente relevante, que deseja continuar explorando o mundo, mas que ainda encontra algumas barreiras”. 

Flexibilidade 

A flexibilidade de agenda faz do público 60+ um ativo importante para a ocupação turística ao longo do ano. Mais da metade dos entrevistados (55,9%) prefere viajar na baixa temporada, enquanto 30,7% afirmam não ter preferência por datas específicas. Apenas 7,5% escolhem períodos de férias escolares e 5,9% priorizam feriados. 

Quando escolhem seus destinos, os viajantes demonstram preferência por experiências ligadas ao lazer e à natureza. Praias lideram, sendo citadas por 72,7% dos entrevistados. Na sequência aparecem cidades históricas (43,7%), destinos de campo e montanha (36,5%), grandes centros urbanos (30%) e resorts ou spas (22,7%). 

“A flexibilidade do público 60+ contribui para manter o turismo aquecido em diferentes períodos do ano, fortalecendo destinos em todas as regiões do país e ampliando oportunidades para hotéis, restaurantes, agências e toda a cadeia produtiva. É um perfil de viajante que ajuda a tornar a atividade mais dinâmica e sustentável”, destacou o ministro Gustavo Feliciano. 

Digital avança 

A pesquisa derruba a percepção de que o público sênior está distante da tecnologia. Aplicativos de viagem e plataformas online são utilizados por 67,8% dos entrevistados. Sites de agências aparecem em seguida, com 48,5%. 

Apesar da digitalização, o fator confiança ainda continua determinante. A família é a principal influenciadora das decisões de viagem, mencionada por 45,1% dos entrevistados, seguida por amigos (24,3%), influenciadores e redes sociais (14,8%) e agentes de viagem (13,3%). 

O comportamento de compra mostra que os viajantes 60+ combinam diferentes formas de planejar e contratar suas viagens. Quase quatro em cada dez viajantes (39,5%) contratam viagens totalmente online e sem auxílio. Outros 28,7% realizam a compra digitalmente, mas com ajuda de familiares, enquanto 16,1% utilizam canais online com suporte de agências e corretores. Apenas 14,8% preferem processos integralmente presenciais. 

“O turismo hoje é uma das expressões mais relevantes da nova longevidade. Viajar ocupa um lugar central na vida do público maduro, estando associado à autonomia, bem-estar, conexão social e realização pessoal”, afirma a pesquisadora Adriana Queiroz.

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