Brasileiros conquistam vaga, mas ficam fora do Mr. Olympia por causa do visto

Para um atleta, conquistar uma vaga no Mr. Olympia significa cumprir a parte mais difícil da equação esportiva. É preciso pontuar, vencer competições, manter uma preparação de alto nível e chegar ao fim da temporada entre os melhores do mundo. Para alguns brasileiros classificados para a edição de 2026, porém, a última etapa não aconteceu no palco. A disputa passou pelo consulado americano.
 

Ângelo Marques, Johnne Sousa e Livingstone “Livinho”, todos da Classic Physique, estão entre os atletas brasileiros que não conseguiram chegar a Las Vegas a tempo da competição por questões relacionadas ao visto. Em comum, eles tinham a classificação conquistada e uma preparação feita para o principal campeonato da modalidade. O que faltou foi a autorização necessária para transformar a vaga em participação.
 

O caso de Ângelo mostra como o problema pode se prolongar por mais de uma temporada. Ele havia se classificado para o Mr. Olympia de 2025, mas não conseguiu o visto. Neste ano, voltou a conquistar a vaga e novamente ficou fora. O processo para o visto de atleta estava em andamento desde janeiro, mas não avançou a tempo. “Está mais difícil para mim tirar o visto do que conquistar a vaga”, afirmou o fisiculturista. Ele chegou a reservar hospedagem em Las Vegas e deixou a mala pronta para a viagem.
 

Johnne Sousa também teve duas negativas antes de conseguir avançar para um visto provisório. A previsão de conclusão, entretanto, coincidia com o dia da pesagem. Livinho, por sua vez, acumulou cinco negativas em pedidos de visto B1/B2 e decidiu apresentar uma nova solicitação como atleta, acompanhada de um processo com mais de 500 páginas. O pedido avançou, mas não a tempo do Olympia.
 

Segundo Fabiano Rocha, especialista em vistos americanos para profissionais e trabalhadores estrangeiros e CEO da Jumpstart, o caso ilustra uma dificuldade comum em processos que dependem de comprovação documental e análise consular. “Para quem trabalha com esporte de alto rendimento, a classificação para uma competição não garante, por si só, a entrada nos Estados Unidos. O atleta precisa demonstrar que se enquadra na categoria migratória adequada e cumprir todas as etapas do processo, que têm prazos próprios e não necessariamente acompanham o calendário esportivo”, diz.
 

A questão é especialmente relevante porque a carreira de um atleta internacional passou a depender de uma série de fatores que não terminam na competição. Calendário esportivo, contratos, patrocínios, documentação e regras migratórias precisam funcionar quase simultaneamente. Quando uma dessas etapas atrasa, o resultado pode ser a perda de uma oportunidade que levou meses ou anos para ser construída.
 

E o problema não está restrito à Classic Physique. Beatriz Almeida e Saionara Rebelo, da Figure, também ficaram fora após problemas com o visto. Josy Alves, da Wellness, passou pela mesma situação. O Brasil tem presença expressiva justamente nessa categoria, o que amplia o impacto para a representação do país no evento.
 

Também não se trata de uma dificuldade exclusivamente brasileira. O iraniano Hadi Choopan, campeão do Mr. Olympia em 2022, não disputará a edição deste ano após não conseguir autorização para viajar aos Estados Unidos.
 

O episódio revela uma particularidade da internacionalização do fisiculturismo. Quanto maior o circuito e mais global a carreira, mais o atleta depende de estruturas que estão fora do seu controle. A classificação abre a porta esportiva para o Olympia. Mas, para atravessá-la, ainda é preciso passar por outra porta, desta vez migratória.
 

Jumpstart

A Jumpstart é especializada em assistência imigratória personalizada para fundadores, pesquisadores e empreendedores. Com metodologia estatística, inteligência artificial e revisão jurídica, desenvolveu uma metodologia exclusiva respaldada por uma garantia de aprovação ou reembolso para os vistos O-1. Essa abordagem permite prever as chances de aprovação, agilizar os processos e traz mais segurança para os imigrantes. A Jumpstart também oferece os principais pedidos de visto, incluindo EB-1A, EB-2 NIW, E-2, L-1 e H-1B.

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